Quarta-feira, 23 de Novembro de 2011

Última aula de mais um reformado... :-) O Prof. Vítor Martins no seu melhor...

Palavras para quê? Fiquem com algumas imagens. Pena que no final tenha tido as mãos ocupadas a bater palmas e não tenha registado a salva de palmas que ele levou... :-)
A aula decorreu no Auditório 2 às 18h de 22 de Novembro de 2011.








 E finalmente, o sorriso (habitual) do "artista"...


Sexta-feira, 18 de Novembro de 2011

Cerimónia de abertura do ano lectivo 2011/12

Tchiii! Há quanto tempo não escrevia neste blogue!... Até me esqueci das referências de entrada e tive de recorrer ao apoio "ténico"! :-)
viso desde já que, contrariamente ao que aconteceu com a quase totalidade das "entradas" anteriores, esta tem muito de "nota pessoal".

Depois de ter faltado a muitas cerimónias do mesmo tipo, resolvi ir assistir à de início do ano lectivo 2011-12 (17NOV11) para rever amigos que, devido à minha ausência mais prolongada que o habitual em Timor Leste, não via há muito tempo. Foi bom ter-vos re-visto.
Depois de tomada a decisão de ir, recebi uma "convocatória" --- é uma forma de dizer, claro... --- para estar presente pois a Direcção da Escola tinha decidido manifestar publicamente o seu agradecimento aos docentes e funcionários que se aposentaram em 2011 ao fim de, na maioria dos casos, muitos anos de serviço na própria Escola.
No meu caso a ligação formal ao ISEG (como aluno, primeiro, e como docente, depois) começou em 26 de Outubro de 1967 (uma quinta-feira!...), data do meu primeiro dia de aulas no Instituto. Nesse tempo o "13" --- o autocarro que então subia penosamente a Rua do Quelhas, com plataforma aberta atrás --- passava lentamente à porta do ISEG e isso permitia-nos saltar dele em andamento.
Essa ligação "formal" terminou em 28 de Fevereiro deste ano (2011) com a minha passagem à reforma. Foram 43 anos, 4 meses e 3 dias. Ou, se preferirem, 15.832 dias... Ou preferem que diga que foram 1.367.884.800 segundos; ou 22.798.080 minutos; ou 379.968 horas? Enfim, mais coisa menos coisa, 2.261 semanas! Toma!... ;-)


Isto quanto à ligação formal porque quanto à afectiva... Essa, meus caros, há-de ir comigo para um sítio que eu cá sei mas não digo... :-). Mais de 43 anos (uma vida!...), 38 dos quais como docente --- para não falar da minha passagem por monitor, logo no primeiro ano em que a "figura" foi criada no Instituto, estava eu quase a termnar o 4º ano (de 5) da licenciatura.

Mas voltemos à cerimónia de abertura deste ano lectivo. Ela decorreu naquela que é a nossa "sala de actos grandes", o Auditório CGD, para o efeito preparada (bem) pelo Instituto e seus funcionários.

Bonitinha, não está?!...

A "função" começou com o discurso de "balanço e contas" do nosso Presidente, o Prof. João Duque, todo garboso na sua fatiota giraça...


Depois o Prof. João Peixoto proferiu a chamada "oração de sapiência" subordinada ao tema "Por onde vai a demografia portuguesa" naquela que foi, em certa medida, uma homenagem a essa "alma mater" durante muitos anos da Escola, o Prof. Francisco Pereira de Moura, muito justamente homenageado com a atribuição do seu nome à nossa Biblioteca.
Exposição muito interessante, permitiu-nos confirmar as importantes ligações entre a demografia e a economia, provavelmente ainda mais importantes para o futuro do que o foram no nosso passado.


Seguiu-se a atribuição de muitos prémios aos nossos melhores alunos. Docente do Departamento de Economia, desculpar-me-ão se, para "parabenizar" todos, der os parabéns ao melhor aluno do curso terminado em 2011 da licenciatura em Economia, o agora nosso colega (e meu antigo aluno e co-autor comigo de um estudo sobre a inflação em Timor Leste) Martinho Silvestre.

Foram também "chamados ao palco" os colegas que se aposentaram em 2011, entre os quais me incluo. Foram eles o António Romão, o Manuel Farto, o Daniel Mueller, o António Luís Silvestre e a Filomena Pimenta. E eu, como disse. Creio que não me esqueci de nehum e desejo a todos as maiores felicidades na v/nossa nova vida, sabendo que há ainda muita coisa para fazermos...

A sessão contou ainda com momentos musicais a cargo de um quarteto de cordas de música clássica e da Tuna de "Económicas", a qual se fartou de "animar a malta".




Permita-se-me que termine com uma referência especial a 4 pessoas que foram marcos na minha vida docente no ISEG.
A saudosa Drª Aurora Murteira, mulher de uma "vida" ímpar e que nos deixou tão cedo; o Prof. Pereira de Moura, meu professor de Macroeconomia no segundo ano e depois, muito mais tarde, meu colega de gabinete durante uns 7-8 anos; o Prof. Ernani Lopes, meu professor de "Economia III" (o conteúdo era a "economia do desenvolvimento", que dava os seus primeiros passos, no finalzinho dos anos 60) e que foi, em parte, o grande responsável por eu me ter dedicado às questões do desenvolvimento; e, last not least, o último professor catedrático sob cuja batuta trabalhei, o "vivíssimo da silva" Prof. João Ferreira do Amaral. A primeira e o último marcaram, praticamente, o início e o fim da minha carreira como docente do ISEG. Bem hajam.

PS - uma pequena história pessoal define bem o carácter rigoroso do Prof. Moura: quando chegou a altura de eu começar a preparar o meu doutoramento convidei-o para ser meu orientador de uma tese que versaria o processo de desenvolvimento económico da China. Ele delicadamente disse-me que a área do desenvolvimento e, particularmente, da China não era a área dele e por isso não me poderia orientar. E rematou com uma frase que me deixou "aturdido": "Mas já agora: uma vez que quer fazer uma tese sobre a China é evidente que primeiro vai estudar chinês, não vai?!... Sim, porque se não o fizer vai fazer uma tese sobre o que os ingleses, os americanos, os franceses e alguns alemães dizem sobre a China e não uma tese sobre a China...".
A conversa sobre o assunto acabou com ele, que tinha estado pouco tempo antes e durante um semestre a ensinar em Moçambique, convencendo-me que seria interessante fazer uma tese sobre o Moçambique pós-independência. E assim foi feito...

Quarta-feira, 25 de Maio de 2011

100 anos do ISEG comemorados... em Dili, Timor Leste! E esta, hem?!...

Pois é: retomo as "entradas" neste blogue para dar conta de um acontecimento "faustoso"!... :-) Nem mais, nem menos que a comemoração do 100º aniversário do ISEG... em Dili, onde me encontro neste momento!

Então foi assim...

Depois de hesitar sobre "vou, não vou, vou! Não! Não vou!" a Lisboa para participar de corpo presente na sessão solene comemorativa dos 100 anos da nossa Escola/"casa", acabei por decidir não ir. Mas não ir é uma coisa e não comemorar é outra bem diferente!...
Por isso lembrei-me de tocar a rebate e tentar descobrir que outros "filhos da Escola" --- "prontes"!, Tá bem! Este é um termo tomado de empréstimo da Marinha mas que se aplica perfeitamente aqui! --- estavam em Timor Leste. Palavra passa palavra e cheguei ao bonito número de uma dúzia e meia, um deles "desterrado" em Baucau, a segunda cidade do país. Curiosamente este, o Henriques de Jesus, foi o mais fácil de indentificar porque é setubalense como eu e andamos juntos desde... os 10 anos!... E concluimos o curso nessa maravilhosa "fornada" de 1972!

Depois, mais um aqui, outro acolá, descobri 3 no BNU/CGD, mais 3 no próprio banco central (onde estou) --- mas uma está fora do país --- mais uma que está no programa "Contacto" mas que conhece mais outros, etc, etc, etc.

"Arrolados" os ex-alunos, foi combinada a função para as 19h de segunda feira, dia 23, de modo a coincidir (estamos 8h à vossa frente...) com a sessão solene.
Entretanto, já tinha estado a falar com o nosso Presidente, o João Duque, a quem informei que cerca das 11h30m de Portugal lhe iria enviar uma mensagem informando da nossa reunião e desejando as maiores feliciadades para os próximos 100 anos!

E assim foi: cerca das 11h40m/19h40m enviei a mensagem assinada por mim próprio (o "katuas"=mais velho português presente e pelo Abílio Araújo, o "katuas" timorense, que frequentou o ISEG a partir de 1971 --- ele recordava que na altura foi visto como uma "ave rara" pois foi o primeiro timorense a frequentar o Instituto).

Os colegas foram chegando e juntámo-nos 14 pois um outro foi para Jakarta com o ministro de quem é assessor, outros dois ficaram "presos" no Ministério da Solidariedade e Segurança Social preparando material para uma reunião do Conselho de Ministros e a outra... esqueceu-se e foi para "os distritos", a forma usada aqui para dizer que foi para fora de Dili.

Foi uma noite MUITO agradável, em que se fez um brinde ao ISEG e ao seu futuro e onde se gritou também "Viva o ISEG!". Emocionante para todos, sem dúvida.
E mais emocionante foi quando soubémos que o nosso (do ISEG, não o outro...) se tinha referido à nossa mensagem e aproveitado para saudar todos os outros "filhos da Escola" espalhados pelo mundo, contribuindo, na medida das suas capacidades, para o desenvolvimento dos países em que trabalham.

 PARABÉNS A VOCÊ, NESTA DATA QUERIDA, MUITAS FELICIDADES, MUITOS ANOS DE VIDA!...

 "Nós somos lo grupio, generoso e bom!..."

Abílio Araújo, primeiro aluno timorense a frequentar o ISEG, a partir de 1971. É hoje um dos mais importantes empresários timorenses e líder de um dos vários partidos políticos do país.

 "Salenda" timorense mandada executar para o efeito. Será oportunamente entregue a quem de direito: ao ISEG, através do seu Presidente

 Outro aspecto da mesa de confraternização dos antigos alunos do ISEG ora em Timor Leste

O Joaquim Fernandes, o último timorense a deixar o ISEG depois de terminados os seus estudos, e a Joana Sampainho, a portuguesa que deixou as paredes do Instituto há menos tempo, apagam o bolo de velas com as cores do ISEG confeccionado para a ocasião

Sábado, 4 de Dezembro de 2010

A "Buenos Aires" por Luís "Sebastião Salgado" Costa... :-)

Pois é! Graças ao colega Luís "Sebastião Salgado" Costa, também conhecido simplesmente por Luís Costa ou simplicissamente por "lukosta", temos hoje no menu nada mais nada menos que as couves da "BuenosAires"!... E o que mais abaixo podem ver!... :-)

Aqui estão elas, em duas poses de 1987!

Mas nem só de couves vivia a "Buenos Aires"!. Também havia por lá uns galinácios!


Para lá chegar era preciso passar por alguns "obstáculos", nomeadamente a entrada e o átrio interior. Aquele era o reino do Sr. Pereira, "contínuo" residente no local e que se pode ver na última foto.



E já agora: não há lá por casa uma caixa com fotos do ISEG de antigamente? Vá lá! Aproveitem o próximo feriado e as férias de Natal para descobrir as preciosidades que andam escondidas. Sigam o exemplo do Luís, a quem se agradece a colaboração. O pagamento de royalties fica para depois...
Aproveitem agora pois é a única oportunidade de ficarem indelevelmente ligados às comemorações dos 100 anos do nosso Instituto...

Quarta-feira, 1 de Dezembro de 2010

Sua Excelência o Sr. Borges Carneiro!

De seu nome completo Manuel Borges Carneiro, é considerado um dos heróis do movimento liberal de 1820. Nasceu em Resende a 2 de Novembro de 1774 e morreu em Oeiras a 4 de Julho de 1833.
A ficha toponímica da Câmara Municipal de Lisboa contém o essencial da vida de Borges Carneiro. Mais informação sobre a sua vida e época pode ser vista aqui.




O nome da rua foi atribuído por decisão da Câmara de Lisboa de 18 d Agosto de 1879, quase meio século depois de ele ter morrido no forte de São Julião da Barra onde se encontrava preso na sequência da subida ao trono do rei (absolutista) D. Miguel.

Na ficha toponímica pode ler-se, nomeadamente:

"Deputado nas Cortes Constituintes, com notável actividade de jurisconsulto, logo se tornou uma das principais figuras do Sinédrio e da revolução liberal. Interveio activamente nas Cortes de 1820 e na preparação da Constituição de 1822, através da qual foram extintas a Inquisição, a Intendência Geral de Polícia, o Tribunal da Inconfidência, a Mesa da Consciência e Ordens, o Desembargo do Paço, a tortura, os direitos banais e as coutadas, os privilégios de foro especial e de aposentadoria e onde se providenciou em relação à Universidade de Coimbra, à Companhia dos Vinhos do Alto Douro, e à agricultura em geral.



Foi demitido pelo golpe da Vilafrancada. Recuperou o seu cargo no Porto, em 1826, e em 1828, em Lisboa. Com a ascensão ao trono de D. Miguel foi preso e veio a morrer no forte de São Julião da Barra, de febre-amarela. "

Fotos antigas (cerca dos anos 60) da Rua Borges Carneiro.

 Prédio na esquina com a Rua do Quelhas, no alto da rua

Vista parcial da rua, sensivelmente a metade superior da mesma

Colégio existente perto do cruzamento com a Calçada da Estrela


Post Scriptum:
Vista actual da primeira e da última foto acima

 Na Obra das Crianças da Freguesia da Lapa o jardim existente na foto mais antiga
 foi "promovido" a cimento armado... C'est la vie!...

Domingo, 28 de Novembro de 2010

Almeida Brandão? Quem foi?

A rua paralela à "Miguel Lupi" e que, devido ao sentido único do transito, dá acesso ao edifício "Bento de Jesus Caraça" e ao (renovado, melhorado e aumentado) estacionamento do "convento" é a Rua Almeida Brandão, como todos sabem.
Mas afinal quem foi Almeida Brandão? Aliás e de seu nome completo "Manuel Francisco de Almeida Brandão".
Nascido em Beiriz/Póvoa do Varzim/Porto, foi mais um dos "brasileiros" que regressou a Portugal depois de ser comerciante e ter enriquecido na Baía/Brasil. A sua vida decorreu quase toda no séc XIX.
A ficha toponímica da rua publicada pela Câmara Municipal de Lisboa diz-nos o essencial sobre Almeida Brandão.



 Um "sítio" com informações genealógicas acrescenta mais alguma coisa, mas não muito.


Sábado, 10 de Julho de 2010

Esta é uma "entrada" completamente diferente das anteriores...

... mas dois dias depois de ter terminado o essencial da minha vida de quase 40 anos como docente no ISEG sinto-me no direito de "dar um golpe" na "linha editorial" deste blogue. Desculpem!

Não sou, nunca fui, dado a grandes balanços de vida e a olhares "passadistas" sobre o que fica para trás, preocupando-me sempre mais o amanhã que o ontem. Mas desta vez dei comigo, professor, a pensar em três alunos que, ainda que de formas bem diferentes, deixaram marca em mim. Estes três são apenas o símbolo --- e que símbolo --- de tantos outros que tive e que de uma forma mais ou menos anónima "vieram" e "foram" no ciclo voraz da vida docente, marcada por novas "fornadas" a cada semestre.

Começo por recordar um aluno que tive há muitos anos, tantos que já lhes perdi o conto. A sua "história" ficou marcada em mim não por ser um grande aluno mas sim pela sua "história de vida" e pela força de vontade que demonstrou em estudar.
Já não faço a mínima ideia do seu nome mas lembro-me que vinha todos os dias de Tomar, de combóio. Foi, salvo erro, meu aluno nas aulas da então "Economia I", a cadeira anual do segundo ano e vinha às aulas da tarde, seguindo depois para o seu trabalho noturno: recolher o lixo de Lisboa nas "camionetas do lixo" da Câmara de Lisboa. Depois, de madrugada, apanhava o combóio para ir dormir a Tomar e à hora do almoço voltava para Lisboa a fim de repetir o ciclo de aulas-apanha de lixo-viagem de regresso a Tomar.
Onde quer que ele esteja, tenha ou não acabado o curso (não faço ideia!), aqui vai a minha admiração por ele e pelo seu sacrifício em nome de um ideal: aprender mais!

O segundo aluno que me veio à memória é hoje um dos nossos mais distintos colegas e tem um nome: Álvaro Pina!
Nunca, em tantos anos da profissão, vi um caso de um aluno que conseguiu responder as perguntas dos exames da forma como ele o fazia. Nem um ponto a mais, nem uma vírgula a menos e cada palavra estava no sítio certo, não faltando nenhuma nem estando nenhuma a mais. Simplesmente brilhante.
Mas o malandro fez-me a desfeita de ter deixado uma resposta incompleta e zás! Em vez de lhe dar 20 dei-lhe apenas 19! O que eu me tenho arrependido toda a minha vida! E já lho disse várias vezes: teria sido o único 20 que daria na minha carreira académica. Paciência. Agora já não há nada a fazer... :-(

Finalmente, o terceiro aluno que até é uma aluna. Melhor: é uma MULHER. Com letra grande, sim! Pelo facto de ela ser ainda aluna do Instituto deveria, provavelmente, omitir o seu nome mas como não é todos os dias que nos aparecem MULHERES destas, não resisto.
A Joana --- fiquemos só por aqui mas, como verão, é gato escondido com o rabo de fora --- foi minha aluna dois anos e nunca vi aquela cara sem um sorriso de lado a lado da cara!
A Joana É uma lutadora desde o nascimento, quando esteve morta e "ressuscitou" para a vida mas com danos irreversíveis na zona do cérebro que comanda os movimentos locomotores. Por isso ela tem um andar bastante "desequilibrado". E apesar da sua deficiência motora ela anda sempre de cara alegre, como que agradecendo (a Alguém?) o dom da vida. E anda todos os dias algumas horas em transportes públicos para ir para o ISEG e voltar a casa bem como para se dedicar a algumas outras actividades fora do ISEG. Nomeadamente, visita algumas escolas e fala com alunos para lhes incutir força e o respeito pelos deficientes que optaram por lutar em vez de se apoucarem como se fossem uns coitadinhos.
É esta MULHER-ALUNA que eu vou recordar mais intensamente. Felicidades, Joana!

E por aqui me fico. Comecei e terminei com dois exemplos de lutadores. Claro que não foi por acaso!