sábado, 4 de dezembro de 2010

A "Buenos Aires" por Luís "Sebastião Salgado" Costa... :-)

Pois é! Graças ao colega Luís "Sebastião Salgado" Costa, também conhecido simplesmente por Luís Costa ou simplicissamente por "lukosta", temos hoje no menu nada mais nada menos que as couves da "BuenosAires"!... E o que mais abaixo podem ver!... :-)

Aqui estão elas, em duas poses de 1987!

Mas nem só de couves vivia a "Buenos Aires"!. Também havia por lá uns galinácios!


Para lá chegar era preciso passar por alguns "obstáculos", nomeadamente a entrada e o átrio interior. Aquele era o reino do Sr. Pereira, "contínuo" residente no local e que se pode ver na última foto.



E já agora: não há lá por casa uma caixa com fotos do ISEG de antigamente? Vá lá! Aproveitem o próximo feriado e as férias de Natal para descobrir as preciosidades que andam escondidas. Sigam o exemplo do Luís, a quem se agradece a colaboração. O pagamento de royalties fica para depois...
Aproveitem agora pois é a única oportunidade de ficarem indelevelmente ligados às comemorações dos 100 anos do nosso Instituto...

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Sua Excelência o Sr. Borges Carneiro!

De seu nome completo Manuel Borges Carneiro, é considerado um dos heróis do movimento liberal de 1820. Nasceu em Resende a 2 de Novembro de 1774 e morreu em Oeiras a 4 de Julho de 1833.
A ficha toponímica da Câmara Municipal de Lisboa contém o essencial da vida de Borges Carneiro. Mais informação sobre a sua vida e época pode ser vista aqui.




O nome da rua foi atribuído por decisão da Câmara de Lisboa de 18 d Agosto de 1879, quase meio século depois de ele ter morrido no forte de São Julião da Barra onde se encontrava preso na sequência da subida ao trono do rei (absolutista) D. Miguel.

Na ficha toponímica pode ler-se, nomeadamente:

"Deputado nas Cortes Constituintes, com notável actividade de jurisconsulto, logo se tornou uma das principais figuras do Sinédrio e da revolução liberal. Interveio activamente nas Cortes de 1820 e na preparação da Constituição de 1822, através da qual foram extintas a Inquisição, a Intendência Geral de Polícia, o Tribunal da Inconfidência, a Mesa da Consciência e Ordens, o Desembargo do Paço, a tortura, os direitos banais e as coutadas, os privilégios de foro especial e de aposentadoria e onde se providenciou em relação à Universidade de Coimbra, à Companhia dos Vinhos do Alto Douro, e à agricultura em geral.



Foi demitido pelo golpe da Vilafrancada. Recuperou o seu cargo no Porto, em 1826, e em 1828, em Lisboa. Com a ascensão ao trono de D. Miguel foi preso e veio a morrer no forte de São Julião da Barra, de febre-amarela. "

Fotos antigas (cerca dos anos 60) da Rua Borges Carneiro.

 Prédio na esquina com a Rua do Quelhas, no alto da rua

Vista parcial da rua, sensivelmente a metade superior da mesma

Colégio existente perto do cruzamento com a Calçada da Estrela


Post Scriptum:
Vista actual da primeira e da última foto acima

 Na Obra das Crianças da Freguesia da Lapa o jardim existente na foto mais antiga
 foi "promovido" a cimento armado... C'est la vie!...

domingo, 28 de novembro de 2010

Almeida Brandão? Quem foi?

A rua paralela à "Miguel Lupi" e que, devido ao sentido único do transito, dá acesso ao edifício "Bento de Jesus Caraça" e ao (renovado, melhorado e aumentado) estacionamento do "convento" é a Rua Almeida Brandão, como todos sabem.
Mas afinal quem foi Almeida Brandão? Aliás e de seu nome completo "Manuel Francisco de Almeida Brandão".
Nascido em Beiriz/Póvoa do Varzim/Porto, foi mais um dos "brasileiros" que regressou a Portugal depois de ser comerciante e ter enriquecido na Baía/Brasil. A sua vida decorreu quase toda no séc XIX.
A ficha toponímica da rua publicada pela Câmara Municipal de Lisboa diz-nos o essencial sobre Almeida Brandão.



 Um "sítio" com informações genealógicas acrescenta mais alguma coisa, mas não muito.


sábado, 10 de julho de 2010

Esta é uma "entrada" completamente diferente das anteriores...

... mas dois dias depois de ter terminado o essencial da minha vida de quase 40 anos como docente no ISEG sinto-me no direito de "dar um golpe" na "linha editorial" deste blogue. Desculpem!

Não sou, nunca fui, dado a grandes balanços de vida e a olhares "passadistas" sobre o que fica para trás, preocupando-me sempre mais o amanhã que o ontem. Mas desta vez dei comigo, professor, a pensar em três alunos que, ainda que de formas bem diferentes, deixaram marca em mim. Estes três são apenas o símbolo --- e que símbolo --- de tantos outros que tive e que de uma forma mais ou menos anónima "vieram" e "foram" no ciclo voraz da vida docente, marcada por novas "fornadas" a cada semestre.

Começo por recordar um aluno que tive há muitos anos, tantos que já lhes perdi o conto. A sua "história" ficou marcada em mim não por ser um grande aluno mas sim pela sua "história de vida" e pela força de vontade que demonstrou em estudar.
Já não faço a mínima ideia do seu nome mas lembro-me que vinha todos os dias de Tomar, de combóio. Foi, salvo erro, meu aluno nas aulas da então "Economia I", a cadeira anual do segundo ano e vinha às aulas da tarde, seguindo depois para o seu trabalho noturno: recolher o lixo de Lisboa nas "camionetas do lixo" da Câmara de Lisboa. Depois, de madrugada, apanhava o combóio para ir dormir a Tomar e à hora do almoço voltava para Lisboa a fim de repetir o ciclo de aulas-apanha de lixo-viagem de regresso a Tomar.
Onde quer que ele esteja, tenha ou não acabado o curso (não faço ideia!), aqui vai a minha admiração por ele e pelo seu sacrifício em nome de um ideal: aprender mais!

O segundo aluno que me veio à memória é hoje um dos nossos mais distintos colegas e tem um nome: Álvaro Pina!
Nunca, em tantos anos da profissão, vi um caso de um aluno que conseguiu responder as perguntas dos exames da forma como ele o fazia. Nem um ponto a mais, nem uma vírgula a menos e cada palavra estava no sítio certo, não faltando nenhuma nem estando nenhuma a mais. Simplesmente brilhante.
Mas o malandro fez-me a desfeita de ter deixado uma resposta incompleta e zás! Em vez de lhe dar 20 dei-lhe apenas 19! O que eu me tenho arrependido toda a minha vida! E já lho disse várias vezes: teria sido o único 20 que daria na minha carreira académica. Paciência. Agora já não há nada a fazer... :-(

Finalmente, o terceiro aluno que até é uma aluna. Melhor: é uma MULHER. Com letra grande, sim! Pelo facto de ela ser ainda aluna do Instituto deveria, provavelmente, omitir o seu nome mas como não é todos os dias que nos aparecem MULHERES destas, não resisto.
A Joana --- fiquemos só por aqui mas, como verão, é gato escondido com o rabo de fora --- foi minha aluna dois anos e nunca vi aquela cara sem um sorriso de lado a lado da cara!
A Joana É uma lutadora desde o nascimento, quando esteve morta e "ressuscitou" para a vida mas com danos irreversíveis na zona do cérebro que comanda os movimentos locomotores. Por isso ela tem um andar bastante "desequilibrado". E apesar da sua deficiência motora ela anda sempre de cara alegre, como que agradecendo (a Alguém?) o dom da vida. E anda todos os dias algumas horas em transportes públicos para ir para o ISEG e voltar a casa bem como para se dedicar a algumas outras actividades fora do ISEG. Nomeadamente, visita algumas escolas e fala com alunos para lhes incutir força e o respeito pelos deficientes que optaram por lutar em vez de se apoucarem como se fossem uns coitadinhos.
É esta MULHER-ALUNA que eu vou recordar mais intensamente. Felicidades, Joana!

E por aqui me fico. Comecei e terminei com dois exemplos de lutadores. Claro que não foi por acaso!

Esta é fácil...

Pois é: quase todos (?) sabem quem era esse tal "Miguel [Ângelo] Lupi" que deu o nome a uma das "nossas" ruas.


Pintor do século XIX (1826-1883), ficou especialmente conhecido por um famoso quadro do Rei D. Pedro V.

Miguel Ângelo Lupi
Fonte: aqui

D. Pedro V retratado por Miguel Lupi
Fonte: aqui

"Em 1863 (...)  Miguel Lupi apresentou-se como candidato à cadeira de Pintura Histórica da Academia de Belas Artes de Lisboa, executando para esse concurso a tela, que intitulou Um beijo de Judas. Sendo aprovado, o público culto da capital saudou com verdadeiro entusiasmo a sua nomeação, a 15 de Fevereiro de 1864, para professor interino da instituição. A partir daí poderia, finalmente, entregar-se definitivamente aos estudos da pintura histórica, os quais eram da sua predilecção.
A partir daqui, Miguel Lupi tornou-se o artista predilecto da Burguesia Lisboeta." (Fonte)

Isto mesmo está patente no grande número de retratos de membros da élite portuguesa da época de que são exemplo os quadros abaixo: o do 1º duque de Ávila e Bolama e o do almirante Francisco Ferreira do Amaral.

Fonte: aqui

Fonte: aqui

Para além do edifício "Bento de Jesus Caraça", a rua é caracterizada pela existência de um conjunto de edifícios mais antigos e com algum interesse arquitectónico, alguns deles com painéis de azulejos.




O "edifício da Miguel Lupi", baptizado com o nome de um dos mais ilustres professores do Instituto (Bento de Jesus Caraça), foi adquirido pelo ISEG algures em 1976 (?) para aí instalar parte dos seus serviços e gabinteses de docentes. Sujeito a confirmação, o valor pago pelo edifício terá rondado, na época, os cerca de 50-60 mil contos, o equivalente nos dias de hoje a cerca de 6,5-7 milhões de euros.
Construído de raíz para ser habitação de luxo --- as casas de banho forradas a mármore da Arrábida, entretanto esgotado, aí estão para o demonstrar... ---, ele tinha, naquela época, poucos compradores já que muitos dos potenciais clientes se encontravam então... fugidos no Brasil. Coisas do "Verão Quente" de 1975.

Na época e segundo testemunho obtido há alguns anos --- nomeadamente em conversa com o ex-funcionário/pintor, o sr. José Gomes (cadê ele? quem tem obras dele?) ---, a sua construção já foi cheia de dificuldades por o terreno estar "empapado" de água, eventualmente do lençol que abastecia a fonte que está na escadaria que, da R. Miguel Lupi, leva ao Jardim das Francesinhas.

No edifício funcionaram ao longo do tempo a Secretaria de Alunos (r/c), os serviços administrativos do ISEG (1º andar) e a "sala de revistas" da Biblioteca do ISEG (em zona hoje ocupada pela reprografia).

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Ainda as "Francesinhas"...

Como é sabido, os edifícios novos do ISEG, nomeadamente os dois "Francesinhas", foram construídos em terrenos que reverteram para o Instituto por troca com a "Buenos Aires".
Nesses terrenos existiam instalações da Direcção Geral de Saúde. Uma foto obtida na internet e tirada do ISEG dá uma ideia do aspecto das mesmas.

Antigos edifícios da Direcção Geral de Saúde nas "Francesinhas"
(Fonte: aqui)

Note-se o lado esquerdo da imagem: aí se pode verificar que antes do prédio que está na esquina da R. Miquel Lupi com a Calçada da Estrela havia um espaço vazio.
Outra foto documenta isso mesmo.

R. Miguel Lupi, 14 (antes)

R. Miguel Lupi, 14 (depois; prédio "das embaixadas")

Ainda voltando às "Francesinhas", "entalada" entre os terrenos do ISEG e os da DGSaúde existia um edifício forrado a azulejos (verdes) onde estava instalada a esquadra da polícia que agora se encontra na Travª Miguel Lupi.

Esquadra da PSP (Fonte: aqui)

Este edifício ocupava sensivelmente a zona que agora serve de entrada do ISEG pela Rua das Francesinhas.

E já agora: o que significa "quelhas"? :-)

"A pedido de várias famílias" --- não é, GP?!... ---, incluindo eu próprio que fiquei intrigado com a palavra, aqui vai o significado de "quelha" segundo o Grande Dicionário da Língua Portuguesa (vol IX) coordenado por José Pedro Machado e publicado em 1981 pela Sociedade da Língua Portuguesa através dos Amigos do Livro Editores:

"Quelha s.f. (do lat. canalicula). Calha || Rua estreita, viela || Cano descoberto || Azinhaga || Peça de madeira, que forma ângulo reentrante, nos moinhos de cereais, por onde corre para o olho da mó o grão que sai da tremonha || Ter. de Mouraz. A tremonha do moinho. || Prov. Socalco de terra lavradia. || Prov. trasm. O m. q. quelho

Quelho s.m. Prov. Caleira por onde o grão desce da carreira e que também se chama quelha. || O m.q. beco, viela ou  quelha."

Esclarecido o assunto? Ainda não? Então falta o quê? Saber porque é que o "Quelhas" se chamava "quelhas"? Sei lá!... :-) Será que tinha (ele ou antepassados dele) moinhos? Mistériiioooo! E assim vai ficar! Por mim fica...

Mas já agora vejam aqui informações sobre os moinhos de vento onde a certa altura se fala da dita cuja "quelha":

"A última fase é a ensacagem da farinha.

O cereal, depois de preparado é concentrado num pequeno tegão em madeira que através da vibração produzida pela mó leva à sua queda entre as mós (poiso e andadeira) através do olho da andadeira ou movente, seu esmagamento e consequente saída da farinha por acção da rotação e forma de picagem das mós.
Sobre a andadeira situa-se uma caixa de dimensões médias, com o fundo em forma de tronco de pirâmide invertida e aberta - a moega ou tegão -, onde se deita o grão que vai ser moído. O grão corre da moega até ao olho da andadeira, por onde cai (para ser triturado) por uma calha de madeira inclinada - a quelha -; o regulador da quelha gradua a inclinação desta; e o chamadouro do grão, apoiado sobre a mó, faz vibrar a quelha, provocando e assegurando a saída e a queda ininterrupta do grão no olho da mó."

Fim!